12.ª classe aos 50 anos, Doutoramento aos 66: um percurso em constante reinvenção

Para quem não me conhece, sou Leandro Gastão Paul e, ao que tudo indica, em 2027 ostentarei o título de Prof. Doutor (PhD) em Estudos de Desenvolvimento, pela Universidade Politécnica, um percurso em constante reinvenção, na sequência da defesa de uma tese dedicada às Relações Públicas (minha actual área de trabalho).

Quando conquistar esse grau, terei 66 anos de idade (nasci em 1961), exactamente 11 anos após ter concluído a licenciatura em Ciências Juridicas naquela mesma universidade (2016).

Nota explicativa: O meu percurso académico iniciou-se com um ano de experiência no Instituto Superior de Ciências e Gestão (INSCIG), com sede em Nacala, instituição que instalou uma delegação próxima à minha residência, em Maputo. Contudo, no ano seguinte, transferi-me para a Universidade Politécnica, onde concluí quatro anos de formação presencial, no regime pós-laboral.

Durante este trajecto, tive como professores vários colegas do jornalismo e companheiros de longa data, entre os quais Tomás Vieira Mário (Direito da Comunicação Social e Ética Jurídica), José Magode (História das Ideias e Pensamento Contemporâneo), para além de Ademar Tembe (Direito Agrário), com quem partilhei conversas e lições entre cafés no Estoril.

É frequente perguntarem-me sobre as motivações que levaram um jornalista consagrado a regressar às salas de aula, depois dos 50 anos.

Questionei-me, à época, como deveria assinalar essa metade de centenário: o que fazer após a reforma aos 60 anos?

Vi colegas a marcar a efeméride com celebrações em bares ou a passar a sustentar catorzinhas.

O meu caminho foi diferente: decidi recuperar oportunidades académicas que, por circunstâncias da vida, tinham ficado por realizar.

A essa altura, detinha apenas a 12.ª classe como habilitação literária, apesar do êxito jornalístico (fundação e direcção dos jornais "Correio da manhã" e "Fim de Semana") e duas incursões universitárias não concluídas (Leccionação de História e Geografia, na UEM e Ciências da Comunicação, no ISPU).

O reencontro com a academia revelou-se frutífero. Em 2016, com 55 anos, fui distinguido como melhor estudante do curso de Ciências Jurídicas, com média de 17,55 valores.

A vontade de seguir aprendendo manteve-se: em 2020, durante a pandemia de Covid-19, matriculei-me no mestrado em Direito Empresarial, pelo Instituto Superior Monitor (ensino à distância), concluindo o curso, com a média de 18 valores e tendo como professores ilustres PhDs como Pedro Baltazar, Gildo Espada, Benjamim Alfredo, Boaventura Gune e João Feijó entre os meus docentes.

Mesmo antes da licenciatura finda, comecei a leccionar como assistente do Professor Agostinho Abdul (Descanse em Paz!), nas cadeiras de Direito Comercial e Direito Económico, na Universidade Politécnica.

Candidatei-me logo após concluir a licenciatura para docência em disciplinas onde obtivera as melhores classificações (20 valores), nomeadamente História do Direito e Sociologia do Direito, alargando posteriormente para o ensino à distância e, mais recentemente, para Filosofia do Direito.

Neste ano de 2025, passei igualmente a partilhar conhecimentos no Instituto Superior da União Geral das Cooperativas (ISUGC), onde tenho encontrado alunos de notável talento.

Este meu percurso ilustra que nunca é tarde para trilhar novas estradas, renovar saberes e multiplicar horizontes, consolidando uma prática de vida dedicada ao estudo, ao ensino e à partilha do conhecimento.


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